sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Música no telemóvel

Há dias, a propósito de um texto que escrevi sobre pessoas que falam alto ao telemóvel quando têm alguém por perto, alertaram-me para outra realidade interessante: as pessoas cujo toque do telemóvel é uma música.

(JD Hancock/Flickr)
Primeiro ponto: toca sempre alto. Muito alto. Toca tão alto que já houve pessoas descobertas no meio de florestas densas pelo toque do telefone. Já houve pescadores que se orientaram no mar pelo som de telemóveis a tocar.

Segundo ponto: as músicas revelam sempre um elevado gosto musical. Quando um telefone toca, nestas condições, há três tipos de reacções, por parte de quem se encontra perto: “quem é que tem isto como toque do telemóvel?” ; “como é que eu entrei numa discoteca e não percebi?”; “em que planeta estou?” (toca tão alto que pode afectar a percepção espacial).

Estes toques de telemóvel conseguem mudar os cenários envolventes. Imaginem o comboio, às oito da manhã, num dia de chuva. Toda a gente com sono. Começa a tocar “Bo Tem Mel”. Os passageiros levantam-se, formam pares. Tudo a dançar.

Uma repartição pública cheia de gente. Uma fila interminável. Rostos de aborrecimento profundo. Começa a tocar “Apita o Comboio”. A fila interminável fica maior, pois a esta juntam-se os funcionários da repartição. Começa a festa.

Estádio de futebol. Jogo com resultado de 0-0. Nenhum remate à baliza, em quase 45 minutos. Começa a tocar “Depois de Ti Mais Nada”, de Tony Carreira. Os adeptos de uma e outra equipa levantam-se e cantam abraçados. Forma-se a tradicional “Hola” mexicana.

Um grupo de amigos na praia. Tudo a tostar, ninguém fala. De repente, toca um telemóvel, com a música da série "Marés Vivas". Começam todos a correr com muito estilo (e em câmara lenta, como é evidente), à procura de alguém para salvar.

Uma vez que só na praia daquela série havia tanta coisa a acontecer, eles voltam, poucos minutos depois, para as toalhas. Tudo a tostar, outra vez.

Gostava que os telemóveis tocassem mais baixo e com outras músicas. Imaginem uma tasca cheia, tudo a ver futebol. De forma quase imperceptível, toca um telemóvel. Enquanto se discute um cartão amarelo, um gajo lá atrás diz: “A 5.ª sinfonia de Beethoven está a tocar num telemóvel. De quem é?”.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Precisamos de contadores

Hoje, ninguém corre sem tecnologia colada ao corpo. O Rocky corria na rua, nada de acessórios. Hoje, o telemóvel diz quantos quilómetros fizemos, qual a velocidade média, quantas calorias queimámos, quantas miúdas giras encontrámos no caminho.

(jpstanley/Flickr)
E se este conceito fosse transposto para outras áreas de actividade?

Trabalho
Contagem de tarefas executadas, tarefas por executar, horas-extra realizadas, miúdas giras na empresa

Sexo
Horas em cada posição, horas de preliminares, tempo médio de cada relação, relações não concretizadas devido a dores de cabeça, miúdas giras

Facebook
Horas perdidas, vídeos de gatos fofinhos, frase sobre a vida ou motivacionais, “likes” nas nossas publicações, miúdas giras

Futebol
Palavrões ditos durante os jogos, penalties roubados ao nosso clube, estatísticas, miúdas giras no estádio

Jantares
Brindes sem motivo aparente, miúdas giras (tudo o que interessa num jantar)

Noite
Copos, álcool no sangue, encontrões, números de telefone conseguidos, miúdas giras, miúdas giras, miúdas giras

Casamentos
Rissóis ingeridos, garrafas de vinho, momentos lamechas protagonizados pelos amigos dos noivos, convidados sem gravata devido ao álcool ingerido, convidadas giras


Pensando bem, só precisamos de um contador de miúdas giras.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Não chega pedir desculpa

O inventor dos “pop-up”, aquelas janelas irritantes que abrem sozinhas, quando navegamos na Internet, pediu desculpa pela invenção.

(butupa/Flickr)
OK, amigo. Depois de milhões de janelas terem incomodado milhões de pessoas, ainda vais a tempo. É como um bêbado partir uma tasca de ponta a ponta e, no dia seguinte, ir lá dizer que se excedeu.

Pois é, não chega.

Foram janelas atrás de janelas. Janelas dentro de janelas. Na janela do quarto, na parede do quarto. O gato deitou-se na secretária e abriu uma janela no focinho. Foi lá com a pata e abriu uma janela na secretária. Fomos dormir e tínhamos uma janela na almofada.

O inventor dos “pop-up” tem que fazer muito mais, para compensar a Humanidade. Fiz uma pequena lista (tendo em conta a dimensão do erro) das acções que ele tem que realizar, de forma vitalícia, pelas pessoas lesadas.

Preencher o IRS

Esperar nas filas das repartições públicas
Esta compensação implicaria preencher papelada e fazer conversa da treta com aquela pessoa chata que está ao nosso lado.

Descascar os camarões
No caso das pessoas alérgicas a marisco, ele podia descascar amendoins.

Nas Universidades, ir às aulas das oito da manhã, ou às aulas de duas ou três horas, pelas pessoas lesadas
Inclui fazer apontamentos e resumir o essencial da aula. Não inclui estabelecer proximidade com alunas giras.

Atender as chamadas feitas às quatro da manhã por amigos bêbados
Inclui conversar um bocado.

Atender as nossas chamadas provenientes de linhas de telemarketing
Inclui ser educado com as pessoas e ouvir tudo o que elas tiverem para dizer.

Aturar os adeptos dos outros clubes, quando estes estiverem a provocar-nos
Se houver chapada, há que assumir a responsabilidade.

Fazer as malas e carregá-las, antes das férias

Emprestar o carro, quando surgir um imprevisto

Só não incluo fazer as endoscopias ou colonoscopias pelas pessoas lesadas, porque isso iria afectar a eficácia dos exames.

Para finalizar, o mais importante:

Fechar as janelas de pop-up a toda a gente!

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Pessoas que desarrumam tudo

E aquelas pessoas que desarrumam tudo nos centros comerciais? Mexe, remexem, se encostam, se enroscam…

Espera, isto é a letra de uma música do Marco Paulo.

(RyanP77/Flickr)
Aquelas pessoas que mexem em tudo e não compram nada. Se pudessem, levavam uma retroescavadora e tiravam os carros todos do lugar, no parque de estacionamento. Depois de estacionar, encontravam um lugar melhor e lançavam novamente o caos, para estacionar naquele lugar. Iam à loja dos gelados e lambiam todos os sabores, antes de escolher. Deitavam todos os perfumes da perfumaria e conseguiam expulsar os outros clientes do centro comercial, dada a intensidade quase mortífera do cheiro que dali resultaria.

Sempre sem comprar.

Iam à loja de desporto e chutavam todas as bolas para o exterior da loja.

Confesso que adorava fazer isso!

Iam a uma livraria e começavam a ler os livros todos. Ao fim de três páginas, percebiam que tinham mesmo que ler tudo, se quisessem saber a história, e pousavam os livros. Fora do lugar.

E se este conceito fosse levado para fora dos centros comerciais?

Haveria pessoas que experimentariam todos os parceiros possíveis para ter uma relação.

Hmmm, já existem pessoas assim.

Haveria pessoas que sairiam à noite e beberiam tudo.

Hmmm, já existem.

Haveria pessoas que, a ouvir música, não deixariam nenhum tema acabar, por estarem sempre a mudar.

Hmmm, já existem.

Haveria pessoas que, se fossem para o Governo, tentariam todo o tipo de soluções, ao sabor da opinião pública.

Hmmm, já existem.

Haveria pessoas que, a treinar equipas de futebol, nunca saberiam quem escolher.

Hmmm, já existem.

Haveria pessoas que diriam tudo e o seu contrário.

Hmmm…

Estamos cercados por pessoas que desarrumam tudo. Escondam as retroescavadoras!

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Arte pré-histórica

Um grupo de investigadores descobriu uma gravura feita por um Neandertal, que poderá constituir a prova de que esta espécie possuía capacidade de raciocínio e de expressão.

(Ricardo Giaviti/Flickr)
Aposto que vão convidar um especialista em Arte, de um museu qualquer, para interpretar a gravura. Ele vai dizer algo como:

“Esta gravura é a mais antiga demonstração das dúvidas, dos anseios e dos medos do ser humano, aqui representados por um antepassado da espécie. No meio da permanente e cruel luta pela sobrevivência, este ser aproveitou algum do seu precioso tempo de descanso para expressar um sentimento, uma vontade, um desígnio. São manifestações como esta, saídas dos contextos mais improváveis, que conferem à Arte uma superioridade perante todas as outras áreas da actividade humana. É isso ou outra coisa qualquer que eu agora quero ir almoçar, porque ainda tenho que ir a outra galeria e já estou atrasado”.

Tenho ideia de que o que aconteceu foi diferente. O Neandertal chegou à sua gruta, cansado de um dia de trabalho, deu um beijo à esposa, fez um ar cansado e começou a experimentar os instrumentos de caça.

Na parede.

Enquanto o fazia, pensava coisas como “este material só pode ser dos chineses, não aguenta nada” ou “com esta lança, posso dormir descansado, isto até fura a parede”. Estaria a testar o material e, ao mesmo tempo, a pensar que aqueles furos na parede podiam dar jeito para colocar uma estante ou pendurar um quadro ou um cachecol do Benfica.

Esperem, não havia livros. Não havia quadros. Não havia Benfica.

Mas, talvez houvesse mais do que isso. O Neandertal poderia pensar que era uma pena ele não ter jeito para artes. O primo dele até tinha feito uma exposição, numa gruta ali perto. Mas ele, nada. Gostaria de poder expressar-se através das gravuras. E de dizer algo como:

“A gravura é uma excelente demonstração das dúvidas, dos anseios e dos medos do Neandertal. No meio da permanente  e cruel luta pela sobrevivência, podemos aproveitar algum do nosso precioso tempo de descanso para expressar um sentimento, uma vontade, um desígnio. São manifestações como esta, saídas dos contextos mais improváveis, que conferem à Arte uma superioridade perante todas as outras áreas da actividade neandertalense. É isso ou já comia qualquer coisa”.

Mas, no fundo, aquilo foi só riscar pedra com lanças.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Adivinhar os comentários no Facebook

Os comentários do Facebook são a segunda melhor forma de revelar a condição humana. A primeira está nas bancadas de um jogo de futebol.
  
(Gene Han/Flickr)
Ao longo dos anos, desenvolvi um prazer que até hoje mantive secreto, mas que decidi partilhar com o mundo, como aquela malta cujas fotografias sem roupa foram parar à Internet: eu gosto de adivinhar os comentários às notícias. E estou a ficar muito bom nisso. Vou apresentar alguns exemplos de notícias e apontar o comentário provável de surgir em cada um deles.

Ministro de um Governo estrangeiro demite-se, por envolvimento em negócio manhoso
“Lá fora eles têm vergonha! Aqui não, é por isso que não saímos do sítio!”

Ministro de um Governo estrangeiro recusa demitir-se, apesar de ser suspeito de envolvimento em negócio manhoso
“São iguais em todo o lado! É tudo a mesma merda!”

PIB cresceu no segundo trimestre
“Os jornalistas andam a enganar-nos!”

PIB decresceu no segundo trimestre
“Este país é uma desgraça!”

Governo não vai aumentar os impostos
“Dizem sempre isso.”

Governo vai aumentar os impostos
“É sempre a mesma merda!”

Salários vão aumentar, principalmente nos lugares de topo
“A mama é sempre para os mesmos!”

Uma boa notícia sobre o nosso clube de futebol
“Somos os maiores!”

Uma má notícia sobre o nosso clube de futebol
“Os jornalistas estão todos comprados! Não falam dos outros clubes?”

Kim Kardashian fotografada nua em produção de uma revista
“Boa!”

Cristiano Ronaldo de férias em Miami
“E o que é que isso me interessa?”
“Para apanhar sol e comer gajas não está ele lesionado. Na Selecção não joga nada!”

Cão operado por ter ingerido 43 meias
“Deve ter hálito a chulé. lol”

Preço da gasolina vai baixar um cêntimo
“É sempre o mesmo: baixa um cêntimo, mas depois sobe cinco.”

Depois deste texto, experimentem ler uma notícia no Facebook e tentem adivinhar os comentários. Vão ver que nunca falha.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A vida da vespa asiática

A vespa asiática tem uma vida difícil. Por causa do jet-lag, acorda muito cedo. Pela frente, uma hora de meditação e uma hora de treino ninja, tudo com a orientação das vespas-mestre. Combate corpo a corpo e técnicas de camuflagem são algumas das disciplinas que as vespas asiáticas dominam. Também são muito boas a apanhar mosquitos com o ferrão.

(SilverStack/Flickr)
Depois do treino, fazem uma patrulha, para saber se o ninho está em boas condições de segurança. A condições de ventilação e o saneamento também são analisados. Há sempre vespas que são boas com os biscates de casa.

Feitas estas tarefas, as vespas asiáticas saem, para andar à porrada com as abelhas. Uma vespa consegue enfrentar até quinze adversárias, uma vez que tem a agilidade do Bruce Lee, a capacidade de enfrentar adversários do Steven Seagal e a invencibilidade do Chuck Norris. Ou quase a invencibilidade do Chuck Norris porque, como Chuck Norris, só o próprio.

Depois de andar à porrada, vão roubar mel das colmeias. Tal como nas sociedades humanas, há os indivíduos que trabalham arduamente e os que vivem desse trabalho árduo.

Algumas vespas ainda passam em locais públicos, onde podem voar junto à cara de alguns humanos e rir das figuras que estes fazem a tentar afastar uma vespa.

Algumas vespas ainda passam em locais de lazer, como aquelas nuvens de mosquitos. Distraem-se a assustá-los e depois vão embora.

Não vão nada: voltam para trás e apanham os mosquitos, só porque uma delas se lembrou de dizer a outra que esta não conseguiria apanhar nenhum.

No final do dia, as vespas-mestre, que passaram o dia no Facebook, a ver vídeos de gatos fofinhos, vão inspeccionar o mel roubado e ver se nenhuma vespa desviou mel. No final de cada inspecção, é dito às vespas que “quem for apanhado a roubar vai acabar a polenizar flores, como as abelhas, ou, pior, a cheirar cocó, como as moscas”.

Esta ameaça gera sempre algum mau ambiente, que depois é amenizado com danças ao som de “Bo Tem Mel”.

Esta rotina é repetida até chegar um lança-chamas para destruir o ninho.

A natural dificuldade de um oriental se adaptar ao ocidente é uma brincadeira, comparada com o calor produzido por um lança-chamas.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

De quem era a culpa?

Um amigo alertou-me para um mistério que ninguém resolveu. No tempo em que a emissão da televisão falhava, era-nos dito que tal tinha acontecido por motivos que eram alheios ao canal de televisão. Pois bem, então quem eram os responsáveis pelas falhas?

(Brian Weed/Flickr)
Marcelo Rebelo de Sousa não sabe. Nuno Rogeiro não sabe. Marques Mendes sabe, mas não quer dizer. Pacheco Pereira anda há muito a dizer quem eram os responsáveis, mas ninguém lhe deu ouvidos.

Decidi investigar esta questão com a dedicação que ela merecia. Primeiro, falei com o pessoal que apresentava os programas de televisão. O que me disseram foi que apenas leram o que estava no teleponto.

Falei, também, com o pessoal que trabalhava na “régie” das televisões. Mas este pessoal está sempre a controlar o que aparece em 250 ecrãs e a dar indicações para o pessoal do estúdio. Ninguém falou comigo. Mentira: um senhor falou, mas foi para me pedir que saísse da frente de um ecrã.

Procurei os directores de programas daquele tempo. Estavam todos a ver “reality shows” manhosos e disseram-me que a parte técnica não era com eles. Um deles acrescentou que, se eu conhecesse alguém que quisesse entrar num programa que seria uma espécie de "Master Chef", mas para mecânicos, podia indicar essa pessoa.

Depois, falei com os gajos responsáveis pelos transmissores. Disseram-me que não sabiam de nada, porque a única coisa que eles tinham que fazer era manter a corrente nos aparelhos. Tanto quanto soube, uma ou outra vez, a corrente esteve quase a falhar, porque estava a dar o Benfica na televisão e eles distraíram-se, mas não houve problemas. Contaram-me, também, que o Venâncio, uma vez, chegou bêbado ao trabalho, porque vinha de um casamento do primo, mas deixaram outro funcionário a tomar conta dele e a corrente não falhou. No fim, indicaram-me uma fonte que sabia de algumas coisas.

Era um indivíduo especialista em questões relacionadas com OVNI’s. O que ele me disse foi que havia visitas regulares de seres extra-terrestres que cortavam deliberadamente a emissão, quando achavam que esta faria mal aos seres humanos. Depois, perceberam que toda a televisão nos fazia mal, e concluíram que tinham que cortar a emissão para sempre. Como isso dava muito trabalho, desistiram. Esta fonte indicou-me um extra-terrestre com quem eu devia falar.

Fui ter com ele, a uma nave que está escondida no meio de uma floresta. Depois disso, não me lembro de nada.

Conclusão: não descobri a verdade, por motivos que me são alheios.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

As fotografias que interessam

Um pirata informático roubou fotografias intímas a um grupo de celebridades e publicou tudo na Internet. Acho muito mal. Sobretudo, porque isto é um desperdício de recursos. É fixe ver mulheres bonitas nuas, mas não teremos já nudez que chegue, na Internet?

O que era realmente espectacular era roubar a base de dados onde estão aquelas fotos bonitas/motivacionais que toda a gente publica no Facebook.

(Rick Harrison/Flickr)
Como seria divertido poder navegar entre milhares de fotografias de gatinhos bebés, sobre as quais poderíamos escrever ditos sobre o amor, a amizade ou o processo de extracção de petróleo.

Ter uma fotografia com um tigre bebé protegido por uma tigresa, e poder escrever uma mensagem sobre quais os materiais mais adequados para um bom isolamento térmico.

“A mamã do tigre protege-o das ameaças. Este material protege a sua casa do calor.”

Porque não termos uma base de dados gigantesca com o pôr-do-sol em diferentes partes do Mundo, para podermos dissertar sobre como temos saudade daquela pessoa?

“O sol vai e volta. Volta você também deveria voltar.”

Isto sim, seriam fotografias que correriam a Internet em menos de 25 segundos e 29 centésimos. Agora, mulheres nuas? Só porque são famosas, não justifica. Nós temos a nudez em todo o lado, na Internet. E sabemos como encontrá-la.

E que tal uma base de dados só de fotografias motivacionais? Uma estrada, um felino, uma pessoa a puxar algo pesado, a subir uma montanha ou a partir uma parede, tudo acompanhado por frases sobre não desistir, sobre ter coragem ou sobre conhecer todos os códigos postais do país.

As pessoas que precisam de publicar ditos motivacionais no Facebook têm um problema: publicam a fotografia, ficam motivadas, depois vêm dois vídeos engraçados, fazem “gosto” em oito publicações, iniciam umas quantas conversas no “chat” e ficam desmotivadas.

Acho que vou fazer t-shirts com estas fotografias motivacionais. Mas, voltamos ao mesmo: arranjem lá uma base de dados disto. 

Pensando bem, continuem a arranjar fotografias de celebridades nuas. Só naquela.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O espião no centro de emprego

E se um espião fosse a um centro de emprego?

(Stéfan/Flickr)
 - Vou precisar do cartão do cidadão. – Diz o funcionário.
- Aqui está. – Responde o espião.
- É a primeira inscrição?
- É.
- Formação?
- Tenho um Mestrado em História.
- Carta de condução?
- Sim.
- Viatura própria?
- Sim.
- Espere só um bocadinho, o sistema hoje está sempre a encravar… Encravou mesmo. Vamos ter que começar de novo…
- Não faz mal. Mas, em vez do outro, use este cartão do cidadão.
- É a primeira inscrição?
- Não.
- Formação?
- Tenho um Doutoramento em Física Quântica.
- Carta de condução?
- Não, mas tenho licença para pilotar helicópteros. Desloco-me regularmente num.
- Que engraçado, nunca ninguém me tinha dito isso. Eh pá, não acredito, o sistema encravou outra vez. Vamos ter que recomeçar.
 - Vou usar este cartão do cidadão. Com este, eu sou Engenheiro Informático. Deixe-me ir aí.

O espião troca de lugar com o funcionário do centro de emprego e resolve o problema informático. Depois, resolve mudar de personagem.

- Tenho aqui um cartão do cidadão em que sou funcionário de um centro de emprego. É a sua primeira inscrição?

- Peço desculpa, mas o funcionário aqui sou eu.

- Ou o senhor se comporta como deve ser ou vou ter que o pôr lá fora.